Esmero-me

 Intervenção urbana do Coletivo Transverso

 

 

 

 

 

 

Foi do concreto da arquitetura que floresceu a poesia em Brasília, só pode. Não há outra explicação.

Embora alguns encarem o terno e a gravata como vestimentas que privam a liberdade e a autonomia – e assim se calam -, alguns homo brasiliensis espalham versos musicados pela cidade, pinturas em papelão, palavras sobre autoconhecimento (quem não conhece o Gurulino?), fecham ruas e fazem apresentações de música e dança.

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Enquanto alguns insistem em se locomover utilizando somente um modal, o carro, outros rodam suas bicicletas, elogiam-se por andar a 10 km/h, paqueram na ciclovia, movimentam-se e descobrem a cidade de outras formas. O jeito que você vê a cidade varia quando se mescla o uso do metrô, a caminhada e as pedaladas.

Intervenção urbana do Coletivo Transverso

Intervenção urbana do Coletivo Transverso

Foi andando de ônibus que um rapaz, desprovido de qualquer apuro estético, leu partes de um livro em voz alta. Eu, que adoro a contação de histórias, acurei o ouvido e torci o pescoço. Fingia ver o movimento, mas me deleitava com a voz calma. Só mais uma das vezes em que me apaixono em ônibus.

Pedalando eu conheci gaviões, corujas e a flora do cerrado. Eu e a Florisbela II, a.k.a. a bicicleta mais linda do cerrado, passamos todos os dias na ciclovia da L2 norte. É ali que, quando passo pelo pé carregado de goiaba, fecho os olhos.

Esmero-me.

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