Para Juremir

Olá, Juremir

Não sou uma de suas ”críticas”, embora não possa dizer, em minha ignorância por desconhecimento, que sou sua fã. Nunca li um livro seu. Quer dizer, nunca até três dias atrás.Sou uma apaixonada pela Patagônia. Posso dizer que, assim como os franceses, como disse o escritor Houellebecq, essa região povoa uma parte do imaginário da minha vida reservada às especiarias. Lá, quem sabe, está o começo, a redenção e a redescoberta. É por isso que quando vi o subtítulo ”viagem com fulano à Patagônia” eu não tive ponderação econômica e comprei um exemplar. Pensei que iria conhecer o comentado Juremir, professor de Jornalismo da PUCRS, falando sobre a maravilhosa Patagônia (sim, de antemão ela tem que ser maravilhosa, mesmo com os pentelhos turistas e a usurpação dos locais. Aliás, o que mais me enerva no típico turismo é a máquina fotográfica, pois você mal chega em um local, olha para a paisagem e já quer construir a sua lembrança baseada na fotografia. A sua lembrança será baseada pela fotografia e não pelo o que você sentiu).
Você já sabe a surpresa que tive ao ler as primeiras páginas, pois tinha pouco de Patagônia e muito de vocês dois, de você e do escritor francês. Após a decepção primordial, decidi finalizar o livro por dois motivos. Pensando melhor, por três motivos: eu gostei desse moço Houellebecq e a cada página imaginava sua boquinha deixando as palavras francesas. Não, não penso que a língua francesa é esplendorosa, já que é chula, suja como gelo depois de dias sendo pisoteado por turistas em um país frio. O que deixa o francês bonito são os interlocutores. Por imaginação minha (e as fotografias da Cláudia, claro), imagino que o escritor seja magnífico! Talvez eu me enquadre nas moças de 20, quase 30, que se interessam por moços mais velhos. Não as interesseiras, não me ofenda. Mas continuei lendo o livro porque você escreve bem, mas especialmente porque desejava escrever esse email. Por quê? Para dizer que a Claúdia deve ter se sentido muito sozinha nessa viagem, Juremir! Ao menos no livro ela ganhou o mesmo papel que um vasinho de flor tem em cima da mesa (ou um papel bobinho? ou maternal arrumando a roupinha do francês? ou de mediadora quando a discussão atingia um ”ápice”?): Cláudia ria, Cláudia amenizou a conversa, Cláudia ria, Cláudia ria, etc etc etc, Cláudia não fez parte das discussões de vocês, não se mostrou inteligente (e tenho certeza que é!). Ela pareceu uma acompanhante meio morna. Queria mais Cláudia, sabe? 
 
De uma leitora satisfeita e insatisfeita que adorou as fotos da Cláudia e queria ter conhecido o tal moço francês (não fale para ele),
Júlia.
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