Como não começar um dia (versão dramática)

Só vejo uma pessoa na parada de ônibus. Uma moça: loira, 20 e tantos anos, casaco e cachecol. Pensei: ”vou saudá-la com um bom dia e um sorriso”. Afinal, estou naqueles dias (terríveis para alguns) em que preciso conversar, seja sobre o tempo, sobre o agosto que já findou ou sobre a inércia da vida. A olhei nos olhos, sorri, e disse em alto tom: ”Bom dia”. A moça não me olhou, não se mexeu, nem nada. Usava fones de ouvido brancos.

Eu fiquei olhando para a Rua Tamandaí e ninguém mais chegou na parada. Ficamos só, eu e ela. Olhei para a moça mais uma vez com a esperança de ter uma outra oportunidade de puxar papo, mas foi em vão. Ela estava recolhida em seu mundo. Eu, que minutos antes me expandia, passei a minguar em um tédio inevitável. O silêncio reinou.
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