escova de dentes

Eu sei o porquê de não ter jogado fora aquela escova de dentes. Não que eu precisasse de uma recordação tua, isso é óbvio, mas ao menos três vezes ao dia, e em alguns dias eu admito que somente duas vezes, eu escovava meus dentes e lembrava daqueles momentos só nossos. Só notei que realmente te amavas quando percebi que não joguei fora a tua escova verde, mesmo após tu teres ido embora.

Um dia eu até a experimentei. Era macia ainda, mas o cabo era desconfortável. Textura boa na boca. Escovei os dentes da maneira que eu lembrava que tu fazias – com a mão direita e não com a esquerda, como eu costumava fazer. Depois que terminei, encostei a tua escova verde ao lado da minha, uma roxa. Lembrei dos momentos em que lutávamos pelo espaço em frente ao espelho ou quando me abraçavas forte e eu fechava os olhos e esquecia de escovar os 32 dentes enquanto recebia suaves beijinhos.

Esse tempo passou. Essa história de escova de dentes tem que ter um final. Decidi que amanhã, na primeira escovação do dia, antes do café com leite e do pão com manteiga, eu vou pegar tua escova e jogar no lixo, sem dó ou medo de ter as lembranças esquecidas. Não, mentira! Esquecidas seria falar demais…

Na verdade, só quero que tu voltes para que eu possa comprar uma escova nova. Quem sabe uma elétrica? Uma verde, azul, amarela, branca, preta, rosa, vermelha? Mais de uma, se quiseres…

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