Dia 15 — O livro favorito dos feriados e folgas

Em 2006 ganhei um livro xerocado. Era caprichado, tinha mola de espiral preta, desenhos coloridos na capa e uma dedicatória. Era um presente especial de uma colega de curso, a Fernanda. Aliás, faz anos que não a vejo, especialmente depois que ela trocou a História pela Filosofia. A autora do livro ”Cânticos” era famosa, mas eu nunca tinha lido. Cecília Meireles era seu nome. Esses são alguns dos seus poemas:

Renova-te.

Renasce em ti mesmo.

Multiplica os teus olhos, para verem mais.

Multiplica os teus braços para semeares tudo.

Destrói os olhos que tiverem visto.

Cria outros, para as visões novas.

Destrói os braços que tiverem semeado,

Para se esquecerem de colher.

Sê sempre o mesmo.

Sempre outro.

Mas sempre alto.

Sempre longe.

E dentro de tudo.

Não digas onde acaba o dia.

Onde começa a noite.

Não fales palavras vãs.

As palavras do mundo.

Não digas onde começa a Terra.

Onde termina o céu.

Não digas até onde és tu.

Não digas desde onde é Deus.

Não fales palavras vãs.

Desfaze-te da vaidade triste de falar.

Pensa, completamente silencioso,

Até a glória de ficar silencioso,

Sem pensar.

Cecília nasceu no início do século XXI no Rio de Janeiro. Mal conheceu os pais, já que os dois morreram quando ela tinha menos de três anos. Foi professora e escritora, tendo falecido aos 65 anos, em plena atividade literária. Abaixo um dos poemas mais conhecidos da autora:


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