billie holliday e eu

apatia.

Tem um cenário que não me sai da cabeça: uma casa no campo. Não para morar, não para passeio. Para refúgios. Aqueles mentais, necessários, doloridos e íntimos. Na beira de falésias, perto de montanhas, nas cercanias de uma descampado, isso tudo pouco importa. Perto ou longe da cidade. Com vizinho ou sem vizinhos. Importa o refúgio. O lugar sagrado do silêncio. Eu me imagino escutando Billie Holliday. Essa senhora de idade linda, com sua pele negra reluzente e sua voz firme cantando baixinho no meu ouvido a música Moonlight. E a lua lá fora, mais fraca que as nuvens que as cercam, mas insistente como ela, sempre a brilhar.

Existem esses pobres infelizes que só sobem fazer beleza na tristeza. Que penso deles? Meus dentes se cerram, minha mandíbula se retrai para um lado e depois para o outro: não sei dizer. Há seres que produzem beleza na tristeza. Há divas que nascem da tristeza. Billie Holliday era uma. Eu só sou uma sonhadora bucólica que pensa no refúgio, esse pedaço de into the wild permitido dentro das cercas da selva urbana. Nada mais.

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