primeiro de abril: lembrar pra que não se repita

Encaminho abaixo texto-lembrete pelo amigo Gilvan, cineclubista e prof de História da UDESM (ufsm-silveira martins), sobre o primeiro de abril (data do golpe civil-militar no Brasil). Divulguem em suas redes sociais (internet ou boca a boca), por favor.
Cineclubistas,

Além de defendermos os direitos do público, de termos um compromisso com a livre manifestação das expressões da diversidade cultural e nos associarmos com a luta pelo fim das desigualdades (não apenas material, mas de acesso à questões básicas) temos um compromisso político.
Aqui me refiro ao  direito à memória.
Escrevo isso pra lembrar que hoje, dia 1 de abril, rememora-se os 47 anos do golpe civil-militar que destituiu João Goulart e instaurou uma longa noite de 21 anos.
Nosso país que é pródigo em tantas coisas, acabou por privilegiar o esquecimento e a conciliação em detrimento da justiça, a Lei da Anistia virou sinônimo de impunidade e isso explica a presença constante até hoje de defensores do arbítrio em postos de comando no país e, no mesmo movimento, as metamorfoses de órgãos de imprensa de próceres da ditadura em atuais  baluartes da defesa da democracia e da liberdade.
Depois de permanecer por  mais de duas décadas, o regime civil-militar nos legou a paralisia e a amnésia e com ela gerações de surdos, mudos e cegos se fizeram. Grande parte destes acreditam piamente que o passado truculento  é melhor que o presente; muitos e muitas não guardam a menor  familiaridade com a história do país, paradoxalmente guardam muito menos contato – e interesse – pela  história recente,  ignoram Lamarca, Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Virgílio Gomes da Silva, Frei Tito, Manoel Fiel Filho, Vladimir Herzog e tantos outros  e outras que perderam laços afetivos, saúde, empregos e a própria vida.
Depois do todo o tipo de violência patrocinada pelo Estado e seus apoiadores, se optou pelo fingimento e seguimos (como já disse Carlos Fico) reinventando o otimismo; ao mesmo tempo em que ainda existem famílias que procuram corpos de militantes, não temos um único condenado por tortura,  muito menos acesso aos arquivos da ditadura que possibilitariam uma nova visão da longa noite de 21 anos.
Hoje relembramos que o golpe civil-militar 1 de abril de 1964 resultou em um regime que nos mutilou.  Não esquecer também é uma forma de resistência. Lembrar é uma forma de impedir que se repita.

Gilvan Veiga Dockhorn
Secretário Geral CNC
Cineclube Abelin nas Nuvens – Silveira Martins/RS

 

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