a despedida

A mão de Fatema (Fátima) é utilizada contra o mau olhado

Estou no trem para o aeroporto de Casablanca. Foi muito difícil me despedir de todas as pessoas que conheci. Não ter abraçado meu amigo Mostapha foi doloroso. Despedidas sem um abraço apertado e com os olhos fechados são incompletos. Deixei o Marrocos sem entender os limites nas relações pessoais. Em muitos momentos lancei o olhar: vem cá, meu amigo, e me dê um abraço.

Vou sentir falta dos kaftan, vestimentas femininas, em várias cores, mas a que eu mais gosto é verde. Elas são usadas com pantufas rosas, o que deixa o visual bem interessante. Essas pantufas, assim como os chinelos tradicionais, sempre deixam o calcanhar de fora. Os pijamas coloridos, em especial rosas, as mulheres usam na rua.

O artesanato é riquíssimo no Marrocos

Nossa, até do Hammam vou sentir falta. Mulheres e homens, em ambientes separados, tomam banho coletivo. Hora ou outra, um amigo esfrega as costas do outro ou gentilmente oferece uma massagem. No Hammam feminino, mulheres e crianças se misturam. É uma gritaria só. Não é nada ecológico, já que se gasta muita água. Um banho normal gasta 5 baldes cheios de água morna. Após um tempo, as pessoas utilizam um sabão vegetal, bastante popular e vendido em qualquer esquina. Há também uma versão para os cabelos, bem cheirosa.

A parte mais curiosa do Hammam é a esfoliação, onde uma bucha vegetal é esfregada no corpo. Pode doer um tanto, mas a pele morta sai facilmente. Seddik e Guilherme chamam isso de espaghetti. Acho que não preciso explicar o porquê. Quem não tem bucha faz a esfoaliação, embora menos eficaz, com as mãos. É muito comum os marroquinos frequentarem os banhos públicos, especialmente porque muitos não tem ducha em casa. Normalmente o Hammam é frequentado uma vez por semana e pode custar de 7 a 180 dihams. Eu só frequentei uma vez no bairro Sidi Moussa. Não vou esquecer o sorriso de um gurizinho dentro de um balde com água transbordando.

Hammam é uma herança turca

O Hammam, assim como as refeições, são maneiras de aproximar as pessoas. Não estranhe caso você conheça um marroquino e ele, após uma semana ou menos, te convidar para ir ao banho público. A mesma noção de coletividade se encontra num almoço ou janta. Não é nojent, e sim pura hospitalidade, comer no mesmo prato que outra pessoa. Também deixe ele preparar suas porções. Provavelmente vá separar os pedaços de frango com as mãos e te entregar gentilmente. Essa é a hospitalidade marroquina.

São pessoas versáteis e dinâmicas como os brasileiros. Um pouco bagunceiros e confusos, mas pessoas de coração aberto e curiosas. Não teve uma mulher que não me perguntou porque tenho 25 anos e não sou casada. Não é maldade, é só o padrão de vida no Maghreb.

Tô com o coração apertado de deixar esse país.

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