o que podia ser só mais uma viagem – e não foi

No início da tarde a Fran e seu sorriso animado apareceram na porta do meu prédio. A pequena falava e gesticulava: vamos, vamos! Era o início da nossa viagem. O primeiro destino era o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. De lá, voaríamos para Brasília – que não é Brasil, para trabalhar num documentário para o INBRAPI. O carro era um Palio 1.0 e sofria de sobrecarga: 5 malas, uma câmera digital, 4 pessoas e um tripé. A roda traseira do lado esquerdo era maior que o normal, e de quando em quando fazia um barulho irritante, mas engraçado. O motor se esforçava para chegar a 110 km/h.

trupe on the road

Passamos pela Quarta Colônia, e mesmo com o céu nublado era um baita lugar e com bonitas paisagens. Paramos num posto para tomar um café e notamos os olhares das pessoas. Me forço a crer que foram causados pela meia-calça laranja da pequena.
Continuamos o ritmo da viagem: devagar, com uma paradinha para o café de vez em quando.
Passamos por Novo Cabrais e a Polícia Rodoviária nos parou (droga): a película da frente é diferente da traseira (não era); vocês estavam sem cinto (não estávamos). Não adiantou, em terra de polícia somos ladrões ou com cara de banco. Resultado: uma multa e o restante da viagem com DROGA estampado na testa.
A chuva chegou para piorar a sensação de impotência da multa. O atraso era evidente. Eu aceitei que iríamos perder o avião e tentei acalmar o pessoal. Tínhamos 2 horas para chegar no aeroporto e estávamos passando por Santa Cruz. Daria bem certinho se Tabaí-Canoas não congestionasse entre 17 h e 20 h. Quando chegamos perto de Montenegro chovia muito, a visibilidade era pequena, e ainda por cima percebemos um carro capotado e ligamos para o 192. Número errado, mas mensagem dada. Embora as rodovias estivessem mal sinalizadas, o que nos fazia ir mais devagar, chegamos em Porto Alegre às 19:05 (embarque às 19:50). Estávamos tranquilos, até que notamos que ninguém sabia exatamente como chegar ao aeroporto. Daí por diante foi um erro mais engraçado que o outro.

Perdemos vários minutos andando no corredor de ônibus e (quase infartei) quando alguém disse que poderíamos ultrapassar o ônibus numa via de mão dupla (para ônibus). CÉUS, gritei para mim mesma. O risco era, além de perder o avião, já estarmos burros de medo, porque o medo emburrece o homem. O outro erro foi pensar que, como o vôo era doméstico (dentro do Brasil), deveríamos ir para o Aeroporto Regional (que no final ficava num local que só tinha um guarda noturno, nenhum passageiro e com vários jatinhos particulares).

Tirando o fato de termos sido multados de forma injusta, termos nos perdido, andado no corredor exclusivo para ônibus e ter errado de aeroporto, conseguimos chegar faltando cinco minutos para o fim do embarque. Pura sorte. Dormi que nem bebê no avião, louca de relaxada. Nem pensei em Brasília, já esperando a overdose de concreto e o cheiro de pneu queimado.

trupe com os nervos acalmados

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Um comentário sobre “o que podia ser só mais uma viagem – e não foi

  1. aahhaha – eu que botei todos na roubada… amei o texto chuchu… beijos e bóra correr q ainda tem de editar tudinho…

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