no ponto morto

Algodão doce na parada livre
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Colocar adesivos na camiseta é prática comum e não só em época eleitoral (vide foto acima). Colocar adesivos e chegar em casa, tirar a roupa e esquecer o adesivo lá, também acontece. Lavar essa mesma camiseta e o adesivo lavado ficar como parte nova da roupa acontece não raramente. Ao menos comigo. Trabalhei na copa da boate do DCE e poderia escrever mil linhas sobre aquela noite. Normalmente tu identifica visualmente o futuro bebum, pega a ficha, confere qual cerveja é, vai ao freezer, pega com as pontinhas dos dedos para não congelar, pega dois copos, serve com ângulo para não formar espuma, entrega para o futuro bebum certo e espera a próxima mãozinha esticada com uma ficha colorida. Enquanto eu sirvo, alguns olham para a cerveja, conferindo se tem colarinho ou não, conferindo, ainda, se sou rápida o suficiente. Alguns, e esses são poucos e mais freqüentes no final da noite, olharam direto para mim, buscando algum contato perto das 6 da manhã. Muitos vão à boate do DCE sozinhos. Esses são fáceis de identificar. Ficam ao lado da copa, bebendo lentamente com o pé na parede. Adoram puxar papo com quem fica na copa. Também percebi um moço, lá pelos seus 25 anos. Ele já estava sob poder etílico mas, corajosamente, comprou duas cervejas de uma só vez. Enquanto sirvo a segunda cerva o moço adormece apoiado no punho da mão, em cima de um folheto sobre desertos verdes. Acordei ele, após dar alguma risadinha, e disse: moço, tuas cervejas estão aqui. Dez minutos se passaram e ele não saía dali, talvez pensando em como levar quatro copos cheios com duas mãos. Quando acalmava o movimento eu podia dançar ouvindo alguma música talvez já conhecida. Poderia também, e isso aconteceu, estar servindo a 70° bavaria premium da noite e me ligar que a música que está tocando é julie paradise. E de todas as moças Júlia que foram citadas pelos músicos, desde Beatles até Los Hermanos, a Julie Paradise é a que eu mais gosto. Pessoas que trabalham em copas também são alvos em potenciais de todas as cantadas mais absurdas e estrategicamente reservadas para aquele momento. Fora isso, a vida aqui continua agitada e quase sem fôlego, como se eu tivesse andando em uma virago a uns 200 por hora e tivesse dificuldades em respirar.Baixei o novo cd do yann tiersen, até percebi algumas melodias, mas achei a maioria muita alheia ao que estava acostumada.

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5 comentários sobre “no ponto morto

  1. Julia!Creio que esta experiência na boate do DCE, por si só, já daria no mínimo um livro…O bebum tem uma coisa gozada, sempre que está para ir embora compra duas cervejas, acaba, invariavelmente, bebendo uma só.Beijos.

  2. As melodias novas são dos momentos novos, que ainda estão para começar. Ainda bem que você ainda não os percebe, se não onde estaria a surpresa graciosa da vida?Ouça a vida com mais atenção quando desacelerar.Beijo,ponto-final.

  3. bom na realidade julie paradis nãotocou pela 70° servida de bavaria premium , foi a penultima música da boate 😀 ! Como o Paulo dissse rqlmente, da pra escrever um livro a cada boate de todos sos fatos que lá acontecem!!E ultimamente os adesivos também fazem parte da minha vida e principalmente do meu corpo!!

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