O que aprendi ao não usar Facebook?

Semana passada, ao querer logar em um aplicativo para Android (vou ignorar que é o Tinder, ta?), tive que voltar a usar o Facebook. Pensei comigo: volto ou não volto? Eu era uma viciada nas redes sociais. Por um período de um ano, minha vida teve como ponto focal o Facebook. Depois de 4 meses sem navegar infinitamente pelas páginas dos amigos, o retorno foi tão estranho quanto eu esperava.

Nesse tempo de ”férias mentais”, o meu cotidiano teve tantas outras cores que voltar à rotina da rede social foi como entrar em uma cápsula do tempo. Desde janeiro eu me matriculei em uma academia, aprendi os primeiros passos da mecânica para bicicleta, li mais de dois livros por mês, encontrei-me com amigos e parentes, aumentei o meu rendimento no trabalho, estudei (!), recebi visitas (iupi!), dancei (sábado de manhã é um ótimo período para isso) e tive longuíssimos momentos de ócio criativo.

O que mais me chamou a atenção foi que algumas pessoas continuam reclamando da dinâmica do Facebook. ”Ai, fulano de tal continua postando bobagem” ou ”O Facebook não tem nada que preste”. Outros, pior, ainda mantêm uma relação de dependência emocional com ele. É como se o Facebook fornecesse as gotas homeopáticas diárias de referência para a vida: o que curto, o que leio, com quem quero sair, quem eu gosto e quem eu não gosto. Mas a vida está longe de ser isso.

Nessa semana, quando se deu o meu ”retorno”, eu li uma matéria interessantíssima da Carta Capital. Resumindo a boiada, quanto mais você usa o Facebook, mais infeliz você é. Acho que o Facebook é uma baita ferramenta de compartilhamento de notícias/ideias/momentos. Um dos meus medos era me sentir desinformada e não entender os hits do momento ou as hashtags utilizadas na semana. Preciso disso tudo? Fora do Facebook eu acompanhei todas as notícias que achei interessante e, para a minha surpresa, todas aquelas que ”nasceram” no Facebook, como o post da repórter brasiliense sobre o resultado da pesquisa do Ipea

Muitas pessoas me falaram que estavam com saudades. Nesse momento eu tive uma breve reflexão mental: mudei o número de telefone ou o endereço de email? não. moro ainda no Cortiço? sim. Para variar, posso estar sendo uma capricorniana radical, mas quem sente saudade liga, envia um email, visita, almoça junto, manda carta e faz um vídeo. Não dá mesmo para acreditar em saudades de Facebook (!?!).

O meu problema, agora que ‘’voltei ao facebook’’ é parar de jogar, novamente, o Candy Crush Saga. Aiaiai.

🙂